quinta-feira, 6 de março de 2014

Educação Escolar de Pessoas com Surdez-AEE

Educação Escolar de Pessoa com Surdez
-Atendimento Educacional Especializado em Construção-
                                                                          Millene Ferreira Damásio Josimar de Paulo Ferreira   
             Aproximadamente há dois mil séculos, existe um embate político e epistemológico entre os oralistas e gestualistas, que tem ocupado lugar de destaque nas discussões e ações desenvolvidas em prol da educação das pessoas com surdez, responsabilizando o sucesso ou o fracasso escolar com base na adoção de uma ou de outra concepção com suas práticas pedagógicas específicas. Enquanto as discussões ficam centradas na aceitação de uma ou de outra língua, as pessoas com surdez não têm o seu potencial individual e coletivo desenvolvido, ficam secundarizadas e descontextualizadas das relações sociais das quais fazem parte, sendo relegas a uma condição excludente ou a uma minoria.
          Sabe-se que a nova política de Educação no Brasil vem tecendo fios direcionais que possibilitam superar uma visão centrada de homem, sociedade, cultura e linguagem de forma fragmentária, certamente, não só neste momento histórico como um modismo, mas que se consolidará numa perspectiva de inclusão de todos, com especial destaque para as pessoas com deficiência. Acreditam na nova Política Nacional de Educação Especial, numa perspectiva inclusiva e não coadunam com essas concepções que dicotomizam as pessoas com ou sem deficiência, pois antes de tudo, por mais diferentes que sejam os seres humanos, sempre se igualam na convivência, na experiência e nas relações, enfim, nas interações, por serem humanos. Não veem a pessoa com surdez como deficiente, pois ela não o é, mas tem perda sensorial auditiva, ou seja, possui surdez, o que a limita biologicamente para essa função perceptiva. Mas por outro lado, há toda uma potencialidade do corpo biológico humano e da mente humana que canalizam e integram os outros processos perceptuais, tornando essa pessoa capaz, como ser de consciência, pensamento e linguagem.
          Refutam e rompem com o embate entre gestualistas e oralistas, pois prejudica o desenvolvimento da pessoa com surdez na instituição escolar, quando canalizam a atenção dos profissionais da escola para o problema da língua em si, quando deve-se compreender que o foco do fracasso escolar não está só nesta questão, mas também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas.
          A intenção dos autores é interpretar a pessoa com surdez, á luz do pensamento pós-moderno, como ser humano descentrado, por acreditarem que o corpo biológico, não em sua parte com deficiência, mas nas outras, que dão à pessoa potencialidade; além de considerar que esse ser não é no todo surdo, mas há uma parte com surdez, que neurobiologicamente, o limita, mas que, em contrapartida, o possibilita e potencializa ao desenvolvimento dos processos neurossensorial-perceptivos. A concepção da pessoa descentrada se caracteriza pela diferença, que, sob a força das divisões e antagonismos, leva a pessoa a ser deslocada e a assumir diferentes posições, Hall (2006). É nesse sentido de descentramento identitário que se concebe a pessoa com surdez  como ser biopsicosocial, cognitivo, cultural, não somente na construção de sua subjetividade, mas também na forma de aquisição e produção de conhecimentos.
     O grande objetivo é pensar e construir uma prática pedagógica que se volte para o desenvolvimento das potencialidades das pessoas com surdez, na escola, fazendo com que esta instituição esteja imersa no emaranhado de redes sociais, culturais e de saberes, considerando os contornos dessas redes, contornos que permitam ver as pessoas em suas singularidades e diferenças, cujos contextos reais precisam ser respeitados. Afastar a ideia de unanimidade, de obviedade, de fragmentação, pois mergulhar na realidade é saber que estamos sempre incompletos, indefinidos, por sermos complexos, Moram (2001).
          A tendência bilíngue se torna um território que se desterritorializa a clausura da pessoa com surdez, sob a ótica multicultural. A abordagem bilíngue para a educação linguística da pessoa com surdez desloca o lugar especificamente linguístico e trata com outros contornos: a LIBRAS e a Língua Portuguesa, em suas variantes de uso padrão, ensinadas no âmbito escolar, devem ser tomadas em seus componentes histórico-cultural, textual, interacional e pragmático, além de seus aspectos formais, envolvendo a fonologia, morfologia, sintaxe, léxica e semântica.
Atendimento Educacional Especializado para Pessoas com Surdez – AEE-PS
             O conhecimento precisa ser compreendido como uma teia de relações, na qual as relações se processem como instrumento de interlocução e de diálogo. Pensar no AEE PS, na perspectiva de que tudo se liga a tudo e que o ato de um professor transformar sua prática pedagógica, conectando teoria e prática, a sala de aula comum e AEE, numa visão complementar, sustenta-se a base do fazer pedagógico desse atendimento. Para realizar essa simbiose adota-se a Pedagogia Contextual Relacional. O sentido dessa pedagogia encontra-se em formar o ser humano, com base em contextos significativos, em que se procura desenvolvê-lo em todos os aspectos possíveis, tais como: na vontade, na inteligência, no conhecimento e ideias sociais, despertando-o nas suas qualidades e estabelecendo um movimento relacional sadio entre o ser e o meio ambiente, descartando tudo que é inútil, sem valor real para a vida, conforme Damázio (2005).
          Na condição de seres de linguagens, de relações, de movimentos e de expressões no mundo em constantes transformações, procura-se desenvolver nos alunos com surdez, a língua e a linguagem, o pensamento, as aptidões, os interesses, as habilidades e os talentos, assegurando uma formação ampla, dimensionada e conectada com os tempos atuais. A prática pedagógica do AEE OS se organiza pó meio de contextos, está alicerçado nas representações sociais e nos legados culturais e científicos da humanidade.